Eco Lógico

01/03/2010 13:57

29ª edição - 01 de março, 2010

Essa semana eu tô cheia de perguntas. E adoraria que alguém me respondesse. Às vezes, dá vontade de parar tudo, porque parece que não adianta nada pensar, pesquisar, escrever, se importar. Por outro lado, desisto de desistir a cada pedido de inclusão no meu e-mailling, a cada solicitação de adição nas redes sociais em que posto os ecos lógicos sustentabilidade, a cada mensagem de validação desse meu trabalho de formiguinha sem fins comerciais. Andei fazendo as contas e me surpreendi: diariamente tem alguém mais querendo receber meus ecos. Eu saí de uma base restrita a uns 150 contatos, em maio de 2009, e cheguei a quase mil no fim do ano passado. Não tenho 1 milhão de amigos como o Luciano Huck no twitter, mas, já tô bem satisfeita com esse modesto crescimento. E aqui, na agência de notícias do meu amigo jornalista Gilmar, caramba, a coluna Eco Lógico Sustentabilidade é uma das seções mais acessadas no portal - esse foi o primeiro presente de niver que ganhei. Entonces, agradecida a vocês. E eu sigo repetindo: Nosso clima era decisão deles, dos líderes políticos, agora a decisão tem que ser ainda mais nossa. É tempo de entendimento entre nós e a natureza. Por isso, aceite sempre nosso convite: leia e compartilhe como é lógico dar eco à sustentabilidade.     

 

Vamos reduzir mesmo o desmatamento até 2020?

O que o presidente de nosso país fala, infelizmente, não dá para acreditar. Pouco tempo atrás, ele defendia produtores rurais desmatadores, tomou um pau danado da iniciativa privada. Dependendo dele, o Brasil apresentaria um projeto de intenções, sem metas, na Conferência do Clima (COP 15), aí foi pressionado também por grandes empresas já comprometidas em reduzir suas emissões.

Também disse que o Brasil não poderia assumir uma meta de desmatamento zero (foi na Cúpula Brasil-União Européia, na Suécia) e mudou esse discursinho com a meta de reduzir em 80% o desmatamento até 2020 (o que permitiria que quase 5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono deixassem de ser emitidas aqui).

Então, o líder máximo diz, desdiz, e no final das contas o que se cumpre?

 

Basta anunciar?

A sociedade não é ouvida nem educada para ter opinião formada, como tem por exemplo em relação aos times de futebol ou aos eliminados do bbb. Seria muito natural e bom que a população fosse capaz de pressionar o governo brasileiro a tomar decisões proporcionais ao potencial de expansão da economia do país com negócios sustentáveis, por causa da nossa enorme diversidade e de nossas incontáveis riquezas naturais.

Alguém já deve ter explicado ao Lula (e demais ôtoridades) que não basta reduzir o desmatamento, é preciso fazer a transição do modelo econômico para sustentável. Mas, e daí, né? Importante mesmo são os propinões, os mensalões, os esforços hercúleos para se manterem aboletados no poder público.

É imprescindível que as pessoas que vivem no Brasil sejam capazes de compreender como a sustentabilidade no meio ambiente, na economia e na vida está relacionada aos nossos comportamentos cotidianos, pessoais e profissionais. Só que para isso ocorrer é necessária educação e de qualidade (e não só para crianças e jovens, para adultos também) e aí babau votinhos de tutela assistencialista, populismo, enriquecimento fácil, mordomias e privilégios para as ôtoridades poderosas, irresponsáveis e incompetentes. 

 

Será por milagre?

Destruímos quase toda a cobertura florestal original da Mata Atlântica, só temos 7% restantes. Já destruímos, ainda mais rapidamente, quase metade da cobertura florestal original do Cerrado, só temos menos de 60% restantes.

Vamos reduzir em 80% o desmatamento até 2020? Como?

Não é por milagre nem é no gogó, também não é embolsando o dinheiro que entrar pelas nossas florestas em pé no mercado de carbono. E se a população não souber como, para agir, cobrar conduta devida dos poderes públicos e iniciativa privada, pressionar e fiscalizar...

No programa Entre Aspas, da Globonews, a jornalista Mônica Waldvogel nos apresenta ótimo debate sobre a meta anunciada: https://bit.ly/4cXucX

Sobre proposta da meta de 80% de redução no desmatamento, a fonte consultada foi matéria do Globo on line, da editoria Ciência: https://bit.ly/fm5pl

 

Desmatamento diminui, mas, não é por milagre não!

Conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no período de agosto de 2008 a julho de 2009 foi registrado o menor índice de desmatamento anual na Amazônia nos últimos 21 anos: 7.008 km². É uma diminuição de 45,7% em relação ao período anterior (2007-2008).

Não foi por milagre. A crise deu uma forcinha, nos explica Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra - Amazônia Brasileira: "Nenhum fazendeiro aumentou a produção. Dezesseis frigoríficos fecharam ou suspenderam as atividades. O desmatamento veio de especulação ou de assentamentos".

Adalberto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), elenca três medidas do governo para redução: restrição de crédito para quem cometeu irregularidades ambientais, embargo de propriedades com desmatamento ilegal e responsabilização dos municípios com a instauração da lista dos que mais desmatam.

A farra dos bois deu uma boa pressionada no governo brasileiro, e agir contra o desmatamento fez diferença. Óbvio. Claudio Maretti, da ONG WWF, dá o alerta: é preciso manter o combate ao desmatamento na Amazônia e também agir no restante do país, principalmente no Cerrado. E Marcio Astrini, do Greenpeace, considerando que é bom reduzir, ressalta que a briga é para zerar o desmatamento.

No site do Estadão temos acesso ao especial Evolução do Desmatamento na Amazônia: https://www.estadao.com.br/especiais/a-evolucao-do-desmatamento-na-amazonia,77929.htm

 

Mudanças Climáticas e o Reino Unido

Vi no programa espaço aberto, da Globonews, o Ministro do Meio Ambiente e Agricultura do Reino Unido, Hilary Benn, em entrevista a Mirian Leitão.

Caramba, vale assistir, é uma excelente oportunidade para termos noção de como o poder público pode lidar de um jeito sério com questões importantes para a nação, para as pessoas, para a sustentabilidade. Acesse: https://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1386206-17665-310,00.html