Ecológico
Chuva é chuva desde que o mundo é mundo. Só que toda vez que ocorrem alagamentos e deslizamentos, pimba, a culpa é da chuva. Até quando vamos transferir a nossa responsabilidade pelas tragédias e culpar objetos inanimados ou fenômenos naturais e milenares? Os seres humanos ocupam todo e qualquer lugar que podem ou querem. Enchem a natureza de concreto e de lixo, cimentam, derrubam, desviam, destroem habitats, plantas e animais, jogam tudo quanto é coisa nas ruas, nos córregos, pela janela de casa ou carros. Gente pobre e gente rica ocupam encostas de morros, regular ou irregularmente, e suas construções sem ou com projeto técnico são por necessidade ou luxo. Em comum há a omissão ou permissão dos poderes públicos. Então, como assim, a culpa é da chuva? Me tiram a alegria todas essas tragédias que causamos a nós mesmos com tamanho distanciamento do equilíbrio da natureza e também por nos mantermos tão distantes do exercício da cidadania. Educação de qualidade promove cidadania, o que nos permite compreender os riscos aos quais as ôtoridades nos expõem, denunciar e reivindicar as políticas públicas pelas quais pagamos com nossos impostos. Muita chuva, muito calor, o clima já está mudado, é preciso responsabilizar administradores públicos e exigir deles condutas responsáveis. Sigo repetindo: Nosso clima era decisão deles, agora a decisão tem que ser ainda mais nossa. É tempo de entendimento entre nós e a natureza. Por isso, aceite sempre nosso convite: leia e compartilhe como é lógico dar eco à sustentabilidade.
A culpa não é da chuva!
Deslizamentos e alagamentos estão ocorrendo em diferentes locais no Brasil. Rio, Duque de Caxias, Angra, Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro; Várzea do Tietê, Cunha, Vale do Paraíba, em São Paulo; em Santa Catarina. Tem chovido pra caramba, e a previsão é de que neste verão faça muito calor e chova muito também.
A chuva ainda vai ser culpada por tantas mais tragédias? Chuva não é sujeito nesse caso.
No noticiário, jornalistas e editores se esbaldam de culpar a chuva (chuva causa transtornos, chuva alaga, chuva mata), e aproveitam para engrossar a audiência dos meios de comunicação explorando o apelo coitadinhas das vítimas. E isso ajuda? Não.
Ajuda mostrar a decoração da festa de fim de ano na pousada atingida pelo deslizamento na Ilha Grande, em Angra, as recordações dos amigos das vítimas fatais, ou apenas satisfaz a mórbida curiosidade humana e rende mais?
O que ajuda é pautar o que deixam de fazer os administradores públicos: habitação, educação, educação ambiental, assistência social, planejamento urbano, geotecnia, saneamento. É pautar a relação entre má gestão de políticas públicas com as tragédias, aí vamos entender como nos tornamos vítimas do não exercer nossa cidadania.
Nos emocionamos, solidariamente, apesar de sermos incapazes de cobrar a devida aplicação recursos públicos de quem tem a obrigação de cuidar dos ambientes em que vivemos. E quem tem essa obrigação são as ôtoridades que elegemos, que contam com técnicos em órgãos públicos, mas, que preferem fazer politicagem, criar currais eleitorais e deixar a população desprotegida, à mercê do que, na verdade, é natural.
O que não é natural é gente construir, explorar e/ou habitar onde não devia, em lugares que não dá pra construir, onde não é seguro morar ou passar férias. O que não é natural é ôtoridade dar kit barraco e incentivar ocupação irregular, aceitar propina pra liberar licenciamento ambiental. O que não é natural é aceitarmos isso.
Dá uma ouvida no comentário de André Trigueiro na CBN: https://bit.ly/9IfQAT
Calor de derreter, tempestade de derrubar ponte, chuva de alagar, vendaval de destelhar
O calor derrete o asfalto. E todo o asfalto de quinta, que pagamos como sendo de primeira, deve derreter ainda mais facilmente quanto mais quente estiver.
Ôtoridades irresponsáveis teem que ser substituídas por políticos decentes, comprometidos com interesses coletivos e capazes de decidir com a consciência acerca dos efeitos das mudanças climáticas. E isso depende de nós. Foi-se o tempo em que bastava armar o circo e inaugurar obras das quais ôtoridades se beneficiam com propininhas e propinões às custas de material de segunda linha, de construções caras e não necessariamente seguras. Tem que acabar essa roubalheira fácil de dinheiro público. Tem que obrar pra durar, tem que usar materiais resistentes e adequados, tem que investir em tecnologia.
Miriam Leitão nos esclarece:
"Sempre houve chuva nessa época do ano. Mas quem estuda essas mudanças climáticas alerta que daqui para frente elas vão ser mais extremas e mais intensa. Temporais e inundações vão acontecer com mais frequência no Brasil.
O país precisa se preparar para essa realidade. Precisa de planejamento urbano, olhar melhor a ocupação das encostas. E o Brasil tem feito o oposto. Em Santa Catarina, depois da tragédia, eles flexibilizaram a legislação de ocupação do solo, das encostas. Isso é um suicídio.
Precisa também se prevenir melhor, com o fortalecimento da Defesa Civil. É preciso planejamento e treinamento.
O Brasil já ocupou demais as encostas irregularmente. No Rio de Janeiro temos inúmeros exemplos de ocupação irregular por todas as classes sociais. Isso precisa ser revisto, tendo em vista essa realidade.
Na Inglaterra, conversei com o ministro de meio ambiente de lá. Eles dizem que estão revendo todos os materiais de construção, inclusive a densidade do asfalto, para enfrentar as oscilações de temperatura".
Vale sempre dar uma lida no blog da jornalista: https://oglobo.globo.com/economia/miriam/
Não dá nem pra comentar:
"Indicadores de corrupção utilizados pelos principais institutos internacionais mostram que, nos últimos dez anos, o Brasil não conseguiu melhorar seu desempenho nesse quesito. Em algumas pesquisas, inclusive, a realidade brasileira piorou no período.
De acordo com levantamento feito pela BBC Brasil, o país chegou a melhorar sua posição em alguns rankings - em geral porque os institutos ampliaram o número de países avaliados, incluindo governos menos democráticos e transparentes. Em termos absolutos, porém, não houve melhora das notas obtidas pelo Brasil nos últimos anos.
No Índice de Percepção da Corrupção divulgado anualmente pela ONG Transparência Internacional e considerado um dos principais indicadores, a nota do Brasil caiu de 4,1 em 1999 para 3,7 este ano.
O levantamento é feito com base na percepção de especialistas e empresários locais sobre o grau de corrupção na esfera pública de seu país. Pontuações abaixo de 5 indicam problemas sérios de corrupção".
Veja matéria completa da BBC Brasil em Brasília, publicada no site do Estadão: https://bit.ly/bYwLFo
Cumpra-se!
Temos no Brasil a Lei de Responsabilidade Fiscal. Se fosse aplicada de verdade essa lei, tragédias seriam evitadas, pois as ôtoridades seriam responsabilizadas pela má gestão de dinheiro público.
A responsabilidade sobre a gestão das finanças públicas, tal como na lei brasileira, tem a inovação de favorecer a gestão administrativa, pois limites de gastos exige planejamento. Havendo punição de irresponsáveis (e estando mesmo fora do poder), automaticamente teríamos responsabilidade ambiental, sanitária, comercial, educacional, habitacional e todos os outros 'al' das políticas públicas.
Os administradores públicos, por nós eleitos, seriam obrigados a planejar, a considerar critérios técnicos e não eleitoreiros. Num ia funcionar populismo. As pessoas exerceriam sua cidadania, tanto cobrando conduta ética e decente das ôtoridades eleitas quanto tendo conduta ética e decente em seu cotidiano pessoal e profissional.
Então, cumpra-se a Lei de Responsabilidade Fiscal!